Arquivo de Agosto, 2008

28
Ago
08

lendo outros

19
Ago
08

a isto é que se chama uma resposta rápida… (Geórgia e a Nato)

«Nato foreign ministers are gathering in Brussels for an emergency summit to discuss how the alliance should respond to Russia’s military action in Georgia.»

Ainda gostaria de saber o que eles pensam fazer e porque não reagiram em tempo real… estavam todos de férias?

19
Ago
08

Por uma liga hanseática de livrarias decentes (Rui Bebiano)

17
Ago
08

a gestão explicada pelos próprios (Dilbert)

17
Ago
08

Leitores precisam-se (Osvaldo Silvestre)

Na sequência do meu post, um novo post, excelente de Osvaldo Silvestre em resposta. Hoje não terei tempo de o comentar. Amanhã o trabalho madruga. Mas fica aqui todo o post, com a devida ligação ao blog original que é Os livros ardem mal, para que possam seguir:

«João Diogo escreveu um excelente comentário ao meu último post no seu Qualquer coisa assim: informado e muito pertinente. Nada tenho a opor ao que diz sobre o modo como a fragmentação do mercado livreiro, cruzada com o aumento do volume de títulos editados, nos conduziu à situação actual. E também me parece evidente que o problema central é o de sempre: o nosso reduzido número de leitores, a enorme dificuldade em fazer com que ele cresça.

Numa versão anterior do post em causa, de que desisti, mais longa e argumentada, abordava empiricamente o fenómeno. Confronte-se por exemplo o número de pessoas que, numa viagem de comboio entre Lisboa e Porto, lêem um livro, ou lêem sequer qualquer coisa (cada vez mais, um jornal gratuito), com o das que falam em altos brados ao telemóvel ou enviam furiosamente sms – e contraste-se essa situação com a equivalente em países como Espanha e França; facilmente se constatará que, como alguém disse, passámos de uma iliteracia pré-moderna para uma pós-moderna, já não marcada pelo analfabetismo mas pela substituição da leitura pelo telemóvel, fenómeno aliás observável em todos os níveis sócio-culturais da população (e de que o Verão nos dá uma ilustração ainda mais chocante, na quase total abstenção da leitura a que se assiste nas nossas praias). É difícil não constatar que o que de facto se mantém, na longa duração da nossa emperrada modernidade, é a inexistência de uma censura social interiorizada em relação à ignorância ou à inapetência pela leitura e pelo esforço intelectual, no sentido do melhoramento pessoal e, logo, comunitário – isso que, justamente, a grande crítica burguesa conseguiu produzir em países como Inglaterra, França, Alemanha, etc. Entre nós, hoje como há cem anos, continua a ser possível fazer elogios da ignorância, da esfera da política à dos média, sem que uma censura social se manifeste. Muito pelo contrário, e esse é todo o drama da nossa modernidade, a nossa burguesia nunca conseguiu realmente ilustrar-se (veja-se, por exemplo, o tipo de leitura que nos é proposto nos consultórios dos nossos médicos ou advogados - ou os quadros que os decoram…) e, como compensação psicanalítica, dir-se-ia, desenvolveu todo um agon contra o universo da cultura e das artes, a quem só foi permitido existir e subsistir sob ressalva e em permanente estado de denúncia de um putativo «estado de excepção» – um status in statu – elitista e parasitário (dos «nossos impostos», etc.).

Ou seja, não se lêem livros porque não há real motivação social para o fazer. Onde divirjo de João Diogo é na responsabilização que faz da universidade por este estado de coisas. Não querendo ser paroquial, permito-me alargar o âmbito dessa responsabilização a toda a escola portuguesa, mas para a refutar. O meu conhecimento do nosso sistema de ensino, nos seus vários níveis, mostrou-me à evidência que o problema não é a escola (o que significa que não subscrevo as versões apocalípticas da nossa escola, hoje tão populares), já que aí se fizeram enormes progressos, sobretudo no apetrechamento de bibliotecas, no fomento de práticas de leitura e escrita, na criação de um circuito de escritores que visitam as escolas, na explosão da literatura infanto-juvenil como um fenómeno de mercado que interage fortemente com a escola e cria efectivamente leitores, etc. O problema, lamento, não é a escola mas a família, já que essa reproduz o modelo «cultural» da burguesia portuguesa, face ao qual o esforço da escola pode pouco – o que não é o mesmo que dizer que nada pode. Mas é para mim evidente que a família, em Portugal, faz com que muitas vezes se percam os leitores que a escola conquista. Para o dizer de uma forma um tanto brutal, quem nós precisaríamos de educar não são os filhos mas os pais. Quando, nos «Morangos com Açúcar», se retrata os miúdos mais fixes como aqueles que não sabem sequer o que é um livro, e quando os pais assistem à novela com os filhos e lhe acham imensa piada – é a sua forma de escaparem àquela outra insinuação, que é toda uma chantagem, da novela: a de que ler é para cotas, coisa que todo o indivíduo a partir dos 30 anos paga para não ser -, é caso para reconhecer que a sociologia da novela produz exactamente isso que estou a referir: uma representação da cultura, do livro e da relação da família portuguesa com ele contra as quais a escola faz o que pode. Quanto às fotocópias, lamento mas são uma consequência fatal da inexistência de bibliotecas universitárias realmente apetrechadas (pois não se pode dizer apetrechada uma biblioteca que possua apenas um ou mesmo dois exemplares de obras de referência) ou com horários de funcionamento indignos daquilo a que muita gente aprecia chamar «a vocação da universidade». A situação de indigência financeira das universidades, porém, e sejamos realistas, não permite mais.

O problema é que o mercado, como qualquer habitante de Coimbra com hábito de frequentar livrarias bem sabe, e como diz João Diogo, está sobredimensionado. Não há clientes para tanta livraria nem para tanto livro e é evidente que muitas livrarias irão desaparecer nos próximos anos. Ou então sofrerão outro tipo de «destruição criativa», como pude constatar em dois casos muito diversos nestas férias. Um deles, numa cidade próxima de Coimbra, numa livraria de referência que muda de dono e é submetida a um processo arquitectónico de «modernização». Quando reabre, consegue quase não ter livros de editoras como Relógio d’Água, Assírio & Alvim, Livros Cotovia, Quasi, Tinta da China (editoras como a Afrontamento ou a Campo das Letras subsistem apenas por via do seu catálogo infantil), mas apresenta livros muito vistosos – e grandes! – na montra e nas mesas das novidades. Outro, em Coimbra, numa livraria de uma grande rede em que em tempos comprei muitos livros mas onde não ia há anos. Tendo lá regressado há dias não reconheci o local e não me convenci de que estava numa livraria – antes um vasto, e muito feio, quiosque. Ou seja, e este é o meu ponto, as pequenas e médias livrarias, vão-se transformando, com raras excepções, para pior (geralmente quando passam para as mãos de gente «jovem, dinâmica e sem complexos» no que toca à natureza e função do livro no mercado); e as redes, com excepção talvez da Almedina, uniformizam-se no que têm de pior. Dir-me-ão que o processo é internacional; mas isso só o torna mais preocupante ainda. A que acresce o facto de em Nova Iorque ou Londres ou Madrid a demografia, os índices de literacia, etc., permitirem que as livrarias grandes tenham um ou dois andares de lixo colorido que compensam com um terceiro andar onde se podem comprar os livros que importam. Entre nós, infelizmente, quase nunca há dimensão para os três andares e o tal terceiro, ainda que metafórico, está a ser cada vez mais reduzido à inexistência pelos dois primeiros, cada vez menos metafóricos.

Ou seja, se para haver um mercado do livro «a sério» é necessário banalizar sem fim o livro e as livrarias, o que sucede é que no fim do processo, que estamos a viver aceleradamente, arriscamo-nos a que não venha a haver de facto livrarias. Porque este é o problema que o tal meu amigo, e aliás colaborador deste blogue, colocava: se o mercado precisa mais dos 1000 clientes que compram um livro por ano do que dos 70 ou 80 que compram dezenas – e é óbvio que se a equação se exponencia para as dezenas ou centenas de milhar, deixa de funcionar de todo -, e se as livrarias se reconfiguram em função desse critério de mercado, e desse cliente, é claro que os tais grandes compradores deixam de as frequentar, pois nelas só encontram o «livro único» da história de Gonçalo M. Tavares. A questão está em saber se não há aqui uma contradição, em termos puramente mercantis, pois os 1000 ou 10 000 ou 100 000 compradores do livro anual não frequentam livrarias e preferem, com grande probabilidade, comprar os livros em hipermercados ou quiosques. E assim, se calhar, a prazo, são as póprias livrarias que ao adoptarem este cliente como modelo estão a assinar a sua certidão de óbito.

Osvaldo Manuel Silvestre».

16
Ago
08

Septuplet joy for Egyptian couple (via BBC), ou as alegrias e dores dos tratamentos de fertilidade

16
Ago
08

blogtailors, Orwell, o custo dos livros e a vida moderna

Hoje o assunto são livros… No Blogtailors pode ler-se:

«Se não sabe que esta ideia veio da mente de George Orwell, junte-se a mim, que só agora o descobri.
Aparentemente, num texto de 1946, Orwell decidiu calcular quanto gastaria com livros durante um ano (a valores de hoje daria mais de 1.000 euros).
Ao pensar que seria bastante, resolveu ver se seria de facto, em comparação com outras despesas, nomeadamente tabaco.
A resposta foi que ler era das mais baratas actividades de lazer que ele fazia, logo após ouvir rádio.
E hoje, será?
»

Acrescentando ao que disse no post de hoje sobre livros, ficou um ponto por referir… que tem precisamente a ver com esta questão dos livros baratos vs caros, e com os orçamentos que todos temos. Comecei a fazer as contas de cabeça e, digamos assim… o meu orçamento (isto é, o que gasto ao final de um ano) para a livros deve ser 10 vezes maior do que o que gasto em roupa. Mas também me pus a pensar… normalmente é o inverso, mas com percentagens completamente diferentes. Conheço pessoas que acham um livro de 15 euros caro e gastam centenas de euros em roupas, ou milhares em plasmas, etc., etc.

Como em qualquer mercado o livro enquanto mercadoria depende da visão que o consumidor tem dele. E devemos pensar se em relação ao livro esse sentimento não é depreciativo…

É claro que isto dá pano para mangas… não quero dizer que os livros não estão caros (seria outra discussão). Tem a ver com o marketing, com a maneira como o conhecimento é adquirido, com o valor que se dá a tal conhecimento, tem a ver com as novas-tecnologias e o factor informação-na-ponta-do-rato, com a lei do preço fixo, etc., etc.

16
Ago
08

classificações alternativas (ou maltezas)

16
Ago
08

entre livros, editores, livrarias e leitores. um comentário a um post de Osvaldo Silvestre

Na sequência do “caso Borges” (para quem não saiba o que é pode ver aqui), Osvaldo Silvestre publicou o seguinte post:

«Não conheço melhor ilustração para o post anterior sobre os livros de Borges que não se encontram nas livrarias do que uma breve história de Gonçalo M. Tavares, incluída no livro O Senhor Brecht (2004). Ei-la:

LIBERDADE DE ESCOLHA

Era uma livraria que vendia um único livro. Havia 100 mil exemplares numerados do mesmo livro. Como em qualquer outra livraria os compradores demoravam-se, hesitando no número a escolher.

A propósito disto, ou seja, de Borges e das livrarias – e da sensação estranha que hoje se apodera de mim quando entro em certas livrarias e tenho a sensação de que não haverá lá sequer uma dúzia de livros que me apeteça ter -, ocorre-me aquilo que me dizia há dias um amigo, grande leitor e comprador de livros: é pelo menos discutível que editores e livreiros optem pelos 1000 clientes que compram 1 livro por ano, marginalizando ostensivamente aqueles 70 ou 80 que compram, no mesmo período, dezenas. Esses que me dizem, cada vez mais, que estão a deixar de ir às livrarias, optando por mandar vir os livros pela net.»

Queria só deixar dois ou três comentários que logo me assaltaram:

Que «os editores e livreiros optem pelos 1000 clientes que compram 1 livro por ano», é uma coisa facilmente explicável como o Osvaldo Silvestre compreenderá bem: o mercado de “consumidores” de livros em Portugal é curto. Muito curto. E houve dois movimentos de fragmentação desse mercado que ocorreram quase em simultâneo: primeiro a fragmentação dos clientes das livrarias, sobretudo com a chegada da Fnac em Portugal. Não há maior exemplo que Coimbra. Em dez anos a quantidade de livrarias existentes na cidade duplicou: a saber temos uma FNAC, quatro Bertrand, 3 Almedina, 2 Coimbra Editora, 2 ligadas à 111, às quais acrescem outras como: Interlivro, Quarteto, e outras menos relevantes ou direccionadas para clientes especiais como a Cultura e Fé. Há clientes para todas elas? Pelos vistos há… mas reduz em muito a liquidez do mercado livreiro para investir em stock. Eu sei que em outras cidades não houve este boom. Mas não estará muito longe. Fragmentação 1 – Livros 0. Outro fenómeno tem a ver com a quantidade de livros publicada em Portugal. De um momento para o outro, a oferta explodiu. Explodiu para coisas más e para coisas boas. No ensaio por exemplo, temos muito mais editoras a publicar muito bons ensaios. De repente, aqueles 70 a 80 leitores que compram muitos livros por ano, já não são suficientes para comprarem tudo, pois só assim quer editores quer livreiros poderiam fazer um investimento claro em stocks diferenciados.

Isto leva-me ao problema central de qualquer discussão sobre o mercado livreiro. Será irrelevante qualquer discussão se não se perceber que não se criam leitores em Portugal. E este é um problema grave. Duma população em que por razões históricas não predominava uma educação em larga escala, temos toda uma geração que não lê, ou quando lê não lê bem (e fora das grandes cidades é maioritária). Das outras gerações, das mais novas, daquelas que já cresceram em liberdade, tenho muitas dúvidas que, pelos métodos de ensino e pelo laxismo universitário, venham a ser ou sejam, na sua maioria, bons leitores (e por isso compradores). Já tive oportunidade de, em sessão pública o dizer a muitos professores universitários: não estão a fazer o trabalho deles bem. Aí se muda um país. Ou não… Podemos ver jovens estudantes que passam quatro, cinco anos na universidade apenas a ler apontamentos, alguns o desplante das fotocópias, mas mais: sem o mínimo sinal de perceberem que serem bons naquilo que estudam implica, necessariamente, ler e muito de outras coisas. Um dos exemplos flagrantes, um que agora conheço melhor, é o caso dos ditos jurístas. Os alunos de direito, por exemplo, gastam fortunas a comprar os livros dos seus professores, que muitas vezes não trazem nada de novo, e não compram, não lêem mais nada.

As generalizações são sempre dificeis e a maior parte das vezes absurdas. Mas na maioria penso que o cenário é este que descrevi. Leitores precisam-se com urgência. Não para que o mercado livreiro e editorial cresçam mas porque são essenciais para as mudanças de mentalidades. É certo que ler não muda tudo. Mas ajuda um bom bocado.

Para já é isso. Talvez volte ao assunto…

16
Ago
08

Rússia vs Geórgia




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