Eu quando vi não quis acreditar… mas já não ligo a quase nada da política portuguesa. Não é preciso dizer mais. Este é o estado das coisas… lembro-me que para motivar o cálculo e a rapidez houve uma professora, de uma pequena vila do interior, que cometeu a loucura de oferecer um caramelo a quem acabasse em primeiro e segundo. Foi uma pequena glória… Fiquei com os dois. Eu até nem gosto de caramelos… LOL. Se fosse agora talvez recebesse uns trocos. De facto, há uma atitude bastante tonta nisto tudo… pagamos pelas médias. Como se a inteligência fosse uma média. Conheço muitíssimas pessoas com médias altas que não valem um cêntimo. A sua inteligência é apenas de armazenamento de dados, debitados sem singularidade. Sem criatividade. Sem um mínimo de inteligência.
Os miúdos que hoje receberam o “diploma”, se são de facto inteligentes deveriam ser apoiados pelo estado dando-lhes escolas e universidades competentes. Professores competentes. Esse é o interesse do Estado. Não as médias dos alunos. E não percebo que uma determinada esquerda do país não veja o estilo de propaganda doentia que isto é.
Carlos Botelho n’O Cachimbo de Magritte: «Sócrates e ministros andam hoje por aí a distribuir diplomas e a aspergir as escolas com quinhentos Euros para os alunos “com melhor média”. Mais uma vez, esta gente sem vergonha não se coíbe de usar a Escola e os tais alunos de “mérito” para as suas trampolinices circenses. E criou até o Dia do Diploma. Seria mais adequado chamar-se Noite do Diploma, porque se trata, realmente, de ir, paulatinamente, apagando as luzes. Até não se conseguir ler nada. Até não se conseguir ver nada. E teremos, então, um belo dia, uma cegada a sair das escolas que, cá fora, andará às apalpadelas e aos tropeções – porque não sabe ver. Mas, para além deste espectáculo triste e parolo, houve uma coisa que o primeiro-ministro proclamou, com o espalhafato do costume, e que me chamou a atenção: o objectivo disto é ‘restaurar o amor à escola’. Sim, o amor. Incentivar o “amor” com pagamentos, trocar “amor” por dinheiro… Bem, isso tem um nome.»
