25
Set
08

o óbvio (ou talvez não): Leitores

Via Blogtailors: «A última pesquisa sobre questões relativas à leitura – Retratos da Leitura no Brasil – realizada pelo IBOPE a partir de encomenda feita ´pelo Instituto Pró-Livro revela a necessidade de o segmento escolar ser alvo de um trabalho profundo para transformar os professores em professores-leitores. Somente assim teremos a possibilidade de esses professores-leitores formarem alunos-leitores, cidadãos leitores, sujeitos críticos.»

«Sujeitos críticos» é de facto o chave nesta questão. É que aqui se jogam (quase) todas as facetas públicas de um indivíduo. Na verdade, sem esta aprendizagem da leitura como Liberdade (frente até aos próprios preconceitos) de nada valem computadores, planos de leitura, etc., etc. O poder sempre quererá maus leitores. Pois isso significa fracos críticos. O poder sempre quererá que as leituras condizentes com o poder se propagem. Que as outras nunca. Um leitor livre, é, por natureza crítico. Não por ser destrutivo, mas porque o seu olhar está mais, por assim dizer, rasgado, abrange mais (quer no passado, quer até nas possibilidades do futuro). O poder, na maior parte das vezes, é um mau-leitor.

Por isso, queremos (devemos querer) uma escola/universidade que não seja a pura reprodução do poder. Antes a Liberdade ante o poder (que por natureza democrática é instável). A escola, a universidade com maioria de razão, não podem depender da reprodução das leituras do poder. A realidade lida através do poder não é igual a uma realidade lida através da liberdade de pensar e de pensar sempre mais.

Quando abrimos caminho à reprodução das leituras do poder (qualquer poder), perdemos os «sujeitos críticos». Não fosse a história tão mal sabida, teríamos imensos exemplos de como fomos mais infelizes sempre que deixámos de ser leitores livres, «sujeitos críticos». A escola / a Universidade não devem espelhar nem a sociedade, nem o poder. Devem ser instituições capazes de acreditar que há sempre a possibilidade de melhorar, de crescer, de ler de maneiras diferentes a realidade, com um maior espírito crítico.

Só assim…, diríamos? Não. Não só assim… A história bem nos ensina…(1) Quando chegar a altura, o «sujeito crítico» que não ajudámos a crescer se transformará no «sujeito que já não tem nada a perder». O poder ficará pelo caminho. A escola / a universidade também. 

Enquanto isso, andaremos felizes e contentes, esperando que tudo se componha, como que por milagre. Mas não se esqueçam os que têm o poder de mudar: serão eles os visados quando o tempo chegar.

(1) Há uma espécie de amnésia controlada nas sociedades europeias do seu próprio sofrimento. Porquê?


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