Arquivo de Outubro 1st, 2008

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Out
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O que verdadeiramente “nos” interessa (humor)

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Out
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Mais reacções: FNAC (actualizado, 12-10-2008)

 

(me)

(Osvaldo Silvestre)

Nessuno, no Estado da Arte: «A  cadeia vai acabar com o desconto de 10% que existia em todos os livros sobre o preço editor para aqueles que não possuem Cartão Fnac. A medida deveu-se segundo declarações do Director de Comunicação a “Nós temos esta prática de forma sistemática, mas, com o tempo, a concorrência optou por destacar este tipo de descontos de forma promocional“. Para continuar a usufruir do desconto deverá ser-se portador do dito cartão da loja, que tem as suas vantagens, mas também desvantagens, nomeadamente económicas (embora haja pontos acumulados e etc.). É importante dizer que o facto de a FNAC praticar os ditos preços levou ao encerramento de pequenas livrarias que não poderiam concorrer em termos de vendas, pelo que a decisão está já a originar muita controvérsia. Agora os preços praticados serão na sua maioria até ligeiramente superiores aos dos outros estabelecimentos. 

Como cliente assíduo mas sem cartão, sinto-me um pouco descontente, mesmo que as minhas compras na loja não sejam principalmente livros. Para comrpar um livro dirijia-me lá, agora terei que pensar duas vezes e ver se de facto o cartão vale a pena.»

Helena, Blog da Livraria Solmar: «Fnac passa a todos um cartão de descrédito. O que era uma vantagem, deixou de o ser a partir de hoje.

O golias entrou em crise, e cegou do unico olho que tinha, que era 10% desconto nos livros.
Falta honestidade e humildade para reconhecer tal.
A grande desilusão no reino dos coletes verdes.
C’est trés jolie, viva às livrarias independentes.»

Emiele, no Pópulo: «Fédération Nationale d’Achats pour Cadres, nasceu em França, em 1954, como uma cooperativa de compradores. Uma cooperativa. Uma forma diferente e simpática de enfrentar o mercado.

Nessa altura era pequena, selectiva, um modo interessante de comprar livros. 
Mas isso foi há mais de 50 anos.
 Ela cresceu, cresceu, cresceu, como acontece nos contos infantis. Cresceu em todos os sentidos.
Começou a vender outras coisas que não apenas livros, e por outro lado saiu de França e espalhou-se por todo o mundo.

Cá em Portugal desde Fevereiro de 1998, tem sido um sucesso.
Já tem 11 lojas espalhadas por todo o país e diz-se até que
 vai abrir dez novas lojas em Portugal até 2011 
Uma das imagens de marca eram os seus preços baixos. Os livros lá eram 10% mais baratos o que é um importante incentivo.
Claro que havia quem criticasse, dissesse que aquilo era uma espécie de «
supermercado da cultura», mas o certo é que terem vários produtos – livros, discos, DVDs – e os famosos preços baixos atraiam mesmo quem ia fazendo essa crítica.
 
Agora vem o balde de água fria.

Li ontem no Público que vai acabar com os descontos de 10% a tal sua imagem de marca a não ser para quem tenha o seu cartão. 
Não é porque esteja a perder dinheiro pois, o que se pode ler acima é que, pelo contrário, o negócio vai de vento em poupa.
Parece uma questão de arrogância, o afirmar que uma vez que está implantada no mercado, já não precisa de se promover.
Espero bem que este acto desagradável e agressivo se torne um boomerang.
Porque hoje já as grandes livrarias também vendem discos e DVDs, e também têm cartões de ‘fidelização’.
Quem gosta dos 
supermercados continuará a frequentar a FNAC, mas imagino que este acto menos simpático fará reverter para as livrarias tradicionais mais compradores.

E eu até tenho o tal «cartão FNAC»….»

José Mário Silva, no Bibliotecário de Babel: «Nos últimos dias, muitas têm sido as reacções na blogosfera à decisão da FNAC de só oferecer os seus 10% de desconto no preço dos livros (arma com que conquistou a sua invejável quota de mercado) a quem tenha o respectivo cartão de cliente. O blogue da Ler juntou os links todos (aqui) e vale a pena dar uma vista de olhos por este justificadíssimo exemplo de indignação colectiva.

Para não destoar, também eu considero que esta é uma decisão absurda e uma lamentável falta de respeito pelos muitos consumidores que fizeram da implantação da FNAC no nosso país um sucesso fulminante e um case studyinternacional. Também eu enquadro este “tirar do tapete” (para usar a imagem do Pedro Vieira) como mais um sintoma da decadência da loja, que se reflecte numa crescente massificação do gosto (nunca o termo “supermercado da cultura” lhe assentou tão bem) e no quase desaparecimento de algumas secções (o caso da poesia, referido por Osvaldo M. Silvestre, é gritante).
Ou seja, se a FNAC deixou de nos dar desconto, pelos vistos nós também deixámos de dar desconto à FNAC. E isto é uma oportunidade de ouro para as livrarias que tiverem a inteligência de aproveitar este súbito ataque de cupidez, mascarado de chantagem comercial mesquinha. Sem a cenoura do desconto, muitos leitores não hesitarão em procurar livros noutros lados. E eu estarei entre esses leitores.
Já agora, aproveito para confessar uma coisa. De cada vez que chegava a uma caixa da FNAC e me perguntavam “tem cartão FNAC?”, sentia que a minha resposta negativa despertava um certo olhar de desprezo no funcionário, olhar assassino (decerto treinado em acções de formação) que significava algo como: “Se não tens cartão FNAC, o que é que estás aqui a fazer? Vai-te embora, pá, tu não mereces respirar o ar que circula nesta loja.”
Admito que fosse um exagero meu, uma paranóia como outra qualquer, mas a verdade é que da próxima vez que chegar com uma pilha de livros à caixa e disser que não, não tenho, e não, não quero ter o cartão FNAC, o funcionário passará as minhas compras pelos raios infra-vermelhos com um sorrisinho cruel (decerto treinado em acções de formação). O sorrisinho sarcástico e sacana de quem se vinga de um crime que não cometemos.
»

João Leal, no Rua da Escola: «As livrarias em mudança

O mercado do livro em Portugal começa a mudar.
Em termos de livrarias, a Fnac anuncia que deixa de fazer os 10 %, ou o famoso “preço mínimo garantido”, em todos os livros. Têm um Cartão Fnac a cujos detentores passam a garantir o “privilégio” do desconto. Nada que já não seja feito na cadeia Bertrand com o seu cartão Leitor Bertrand. 
O que acontecerá agora? Será que os clientes da Fnac preferirão passar a usar uma das cinquenta e tal livrarias da Bertrand, com um atendimento muito mais personalizado, ou continuarão a seguir a lógica tão portuguesa do hipermercado tudo ao molho?
A popular Fnac, a tal que foi fundada com ideias socialistas em França há muitos anos, escolhe agora o seu público, isto é, os que têm dinheiro e o Cartão (de crédito) Fnac. 
Sabe-se que as vendas têm vindo por aí a abaixo mas nunca esperei que os franceses virassem deste modo a casaca. 
Está agora nas mãos da Bertrand responder com o que realmente é forte na lojas da Fnac: o livro importado e uma maior atenção aos fundos de catálogo das editoras nacionais. 
Será que está à altura? Sou supeito, porque trabalhei na FNAC e agora na Bertrand, mas tenho a certeza que sim.
»

De Livros de Areia: «Pode parecer um paradoxo, vindo de pequeníssimos editores, mas daqui nunca saiu uma crítica à FNAC. Pelo contrário. Foi graças ao interesse da FNAC que pudemos afirmar-nos. Ao contrário de outra(s) cadeia(a), a FNAC nunca nos fechou a porta e foi deles – com o argumento da qualidade reconhecida pelos insitentes pedidos de livros nossos aos seus balcões – que partiu o convite para que passássemos a ser fornecedores a conta firme e já não apenas remetentes de consignações (ao contrário de outras cadeias onde nos foi sempre barrada a entrada, sendo precisamente essa insistência dos pedidos ao balcão que virou a situação – o que era “impossível” e que dava direito a fim de conversa telefónica, passou, por milagre, a ser… possível). Foi essa elasticidade de processos que frequentemente elogiámos e que vimos expressa nas amabilíssimas recepções que tínhamos aos nossos pedidos de apresentações (pelas quais nunca nos pediram qualquer contrapartida, e de que guardamos memórias muito boas). Além disso, a FNAC encomendava com generosidade as novidades e pagava a horas (em 2006 isso era RARO). É, pois, essa FNAC que continuamos a louvar, a mesma onde, de forma improvisada e graciosa, alguns livreiros recomendaram livros nossos a leitores que no-lo comunicaram posteriormente (o Fernando Alvim foi um deles, a quem foi recomendado o Chancena livraria do Chiado).

Ecos de uma certa mudança começaram a chegar-nos em 2007, sobretudo pela redução dos pedidos de novidades. Outros e mais preocupantes ecos chegaram mais recentemente, e, aí, tenho de confessar que me enganei: se de facto as coisas vão mudar para o que parecem estar a mudar, então aquilo que eu esperei e julguei que acontecesse, que a FNAC contagiasse o restante mercado de oferta com a mesma abertura a pequenos fornecedores, limpando a sufocante imagem de reservatórios de best-sellers à boca das livrarias e outras áreas da concorrência (nunca lá nos disseram, como numa conversa com o comprador de uma grande superfície,“vocês têm algum livro que venda tanto como o Harry Potter?”) pode mesmo não se concretizar. No preciso momento em que a FNAC sente chegada a ansiada liderança, começa a cortar com o que a fazia ser uma referência. Note-se que pouco me importa o fim dos 10% nos PVP (como editor, é-me benéfico, e como comprador não me afecta pois sou cada vez mais cliente do carteiro como livreiro ao domicílio). O me inquieta é o iminente fim de outras coisas, cuja percentagem na existência de um pequeno editor é de bem maior monta.»

Tiagão, no Coisas Insignificantes: «Leio em vários blogs ( Da Literatura, Blogtailors, Qualquer Coisa Assim e Os Livros Ardem Mal) que a FNAC vai dar o passo atrás nos 10% de desconto, dando-os somente aos que tenham o cartão de cliente.

Continuo a achar que muitas lojas e empresas funcionam deste modo: começam por oferecer mundos e fundos, e depois de terem os clientes habituados borram a pintura. Se calhar agora já ninguém se lembra do motto da FNAC quando aterrou cá pelo burgo. Preço Mínimo Garantido, se encontrar mais barato devolvemos a diferença. Deve ter durado dois ou três anos.

PS: como é que os 10% eram feitos? É que o mesmo livro, cd ou DVD chegava a ter, entre lojas FNAC, diferenças que iam dos cêntimos aos euros. Teimoso, sim, parvo? Só a cara.»

João Gonçalves, Portugal dos pequeninos: «A firma da foto decidiu acabar com os dez por cento a menos no preço de capa dos livros, aquilo que, afinal, a tornou interessante, grande e concorrencial. A desculpa é que os outros efectuam “promoções” temporárias idênticas que retiram utilidade comercial a esta pequena “liberalidade”. O motivo, evidentemente, deve ser outro e, como diz a outra, não interessa nada. Só os “sócios”, como num clube de futebol, é que ficam com o direito àquele desconto. Bom proveito.»

Rogério SantosIndústrias Culturais: «EU SOU DOS QUE NÃO TÊM CARTÃO FNAC E ESTOU DESCONTENTE COM A DECISÃO DE ALTERAR A POLÍTICA DE PREÇOS

Isto apesar de não achar correcto o procedimento até agora desenvolvido pela FNAC. Passo a explicar.
1) É agradável comprar um objecto sabendo que ele tem um desconto de 10%,
2) Anunciar o fim desse desconto desperta um sentimento oposto, de desdém por quem determina o novo propósito,
3) Ponho-me a pensar: de um lado, existem os detentores do cartão FNAC (250 mil diz a notícia do Público), do outro, os que não têm o mesmo cartão (que não sei quantos são). Logo, passei a ser um “sem cartão”, ou seja, desalinhado, marginal, inferior. Para recuperar o rótulo de bom cidadão, terei de pedir um cartão,
4) Mas, numa perspectiva de economia política (quiçá redutora mas oportuna), penso melhor sobre a medida do anúncio do fim do desconto para os “sem cartão”: a FNAC, com a política dos 10% de desconto, contribuiu para o fim de pequenas livrarias que não podiam competir. Agora, com uma quota de mercado significativa, já tem margem para impor. A isto chama-se, na perspectiva teórica acima enunciada, atitude monopolista. Ah, depois das nacionalizações da banca pelo ocidente fora – coisa estranha nos países capitalistas – nestes últimos dias, já pouco me espanta! A isto pode chamar-se também manipulação,
5) Pensava que o cliente e os bens culturais vendidos na FNAC eram mais importantes que o cartão. Como se a fidelidade estivesse no cartão da FNAC (que não é dourado como o dos bancos)!,
6) Pensando ainda melhor, se a jornalista do Público (São José Almeida) é uma profissional séria (do que leio dela, tenho-a nessa conta) e escreveu bem o que disse o director de comunicação da FNAC, este está profundamente equivocado. Terá dito ele: “Nós temos esta prática de forma sistemática, mas, com o tempo, a concorrência optou por destacar este tipo de descontos de forma promocional”. A ser assim, os preços na FNAC passam a ser mais caros que nos outros sítios e não iguais a esses outros sítios. Li eu mal? Ou as minhas meninges deixaram de funcionar bem?
Como conclusão: em termos de imagem, é um erro, creia-me o director de comunicação da FNAC. Não será melhor voltar atrás? Ou quer que toda a gente seja fichada, “com cartão”?»

Luís Filipe Cristóvão, 1979: «A Fnac anunciou hoje que deixará de praticar os 10% de desconto no produto livro para todos os seus clientes, reservando essa oferta para os utentes do seu cartão-cliente. No entanto, em dez anos de trabalho no mercado português, a Fnac sempre fez as suas negociações com fornecedores (editoras e distribuidoras) a partir do pressuposto que praticava esses 10% para todo o universo dos seus clientes. O dia de hoje devia, assim, marcar uma indignação geral dos fornecedores da Fnac, visto que aquilo que está contratualizado partiu de um pressuposto que já não se coloca.

Não é a primeira vez que alerto para o facto da Fnac ter um discurso comercial diferente, consoante fala para clientes e para fornecedores. Essa diferenciação passou a estar visível, ao longo dos últimos 18 meses, nos produtos disponibilizados em loja – para quem tem a noção dos livros que vão saíndo todos os meses, cruzando isso com uma ideia de cânone básico que uma livraria deve ter, visitar hoje a secção de Literatura da Fnac Colombo, por exemplo, é como visitar a galeria dos horrores.

Não deixarei de ser cliente da Fnac – é a única loja que disponibiliza uma variedade aceitável de cd’s musicais, dvd’s e livros estrangeiros -, nunca tive nem vou ter agora o cartão de cliente (porque, basicamente, não tenho cartão de cliente de loja nenhuma, onde sou cliente habitual conhecem-me pelo nome, não precisam de cartões), e fico feliz com a ideia de que não vou ter que ouvir “consigo esse livro mais barato na Fnac” porque simplesmente, Fnac e Livrododia terão condições iguais para os seus clientes. Já quanto aos fornecedores… lá chegaremos, lá chegaremos.»

Sara Figueiredo Costa, no Cadeirão Voltaire: «Trabalhar madrugada fora tem destes inconvenientes: só agora, às duas da tarde, é que o Público me chega às mãos e, com ele, a notícia de que o desconto de 10% que ajudou a fazer da FNAC o gigante que é hoje vai passar a ser um privilégio dos detentores do cartão FNAC. Sobre isso, o Jorge Reis-Sá escreve no seu blog, bem como o Paulo Ferreira nos Blogtailors. À pergunta final deste último (“Se eu não tiver um cartão FNAC, que motivo temos para continuar a ir lá comprar livros?”), respondo com um óbvio ‘Nenhum!’. Aquilo que a FNAC parecia ser no início da sua instalação em Portugal, uma livraria com programação cultural, oferta diversificada, com novidades de todos os quadrantes, mas também com fundos sólidos, tem vindo a desaparecer aos poucos e há já alguns anos que o único motivo pelo qual valia a pena lá ir era mesmo o do desconto, ainda que às vezes isso pesasse um bocado na consciência de quem desconfia que os 10% a menos no preço seriam retirados do lucro da editora (peso que se combatia muito bem comprando apenas livros de editoras maiores e reservando a compra de livros da & etc, Antígona, Averno, Fenda, Quasi e outras para espaços mais amigos da edição). Isso e a hipótese de acumular pontos que podem ser trocados por cheques, o que em algumas alturas do mês se torna realmente simpático, permitindo a compra daquele livro que pensávamos não poder comprar tão cedo, a troco de nada. Agora a situação vai manter-se, bastando para isso aderir ao cartão. Deve ser isso que significa ‘levar o negócio dos livros a sério’, ‘crescer’ e ‘fidelizar a clientela’. Se isso vai fazer com que as vendas desçam e o público procure outros espaços ou se vai levar a um aumento exponencial do número de aderentes do cartão Fnac, ainda não se sabe. Mas que isso altere alguma coisa naquilo que tem sido a politica da loja, não me parece. Desde a abertura da loja do Chiado (a que conheço melhor) que as pequenas mudanças foram acompanhando uma degradação paulatina daquilo que podia ser um espaço de livros agradável. A redução, lenta mas substancial, dos fundos e de algumas secções em particular (a banda desenhada é um bom exemplo, mas haverá outros), a rotatividade acelerada das novidades, muitas vezes associada à desaparição rápida dos livros que há um mês estavam em destaque, a oferta cada vez mais concentrada nas edições que se encontram em qualquer sítio (acabando com aquilo que poderia diferenciar a loja de outros grandes espaços comerciais livreiros) e a constante mudança de espaços, de que o ‘encafuamento’ da secção infantil no antigo corredor de leitura, com pouco espaço para leitores e menos ainda para carrinhos de bebé, é o exemplo mais recente, mas ao qual se poderia juntar o desaparecimento misterioso dos sofás de leitura que marcavam, no início, a identidade da loja, são exemplos dessa degradação. Por entre tudo isto, e aceitando a lógica de mercado (da qual parece que não há fuga possível), o facto de o desconto de 10% passar a estar disponível apenas para os portadores do cartão nem parece a coisa mais grave. Não é assim que se fidelizam clientes no palavreado e na estratégia dos senhores do marketing?»

Eduardo Pitta, Da Literatura: «Era bom, mas acabou. A partir de hoje, a Fnac restringe o desconto de 10% (sobre livros) aos detentores do Cartão Fnac, uma comunidade, diz a empresa, de 250 mil leitores portugueses que «tem de ser acarinhada». A concorrência mais profissional faz o mesmo, ou parecido, e, para que não haja confusões, a Fnac adopta o espírito members onlyOK. O problema não é o cartão. É a chatice dos formulários!»

Blogtailors: «Editorial

À FNAC se deve muita da democratização do livro. Abriu portas no nosso país há dez anos, tendo-se instalado no leitor a ideia de que, confortavelmente sentado num sofá, se podia folhear sem comprar, consultar sem ser visto de soslaio pelo livreiro, que se certificava se não levávamos indevidamente um livro debaixo do braço.
Equipada com bons profissionais, livreiros a sério, entrava-se na FNAC e percebia-se que quem estava do outro lado do balcão sabia do que falava. Uma forte actividade cultural convidava a dar lá um salto para ver o que ocorria. Tudo acompanhado de um café ou de uma bebida. Paralelamente, e com a implementação da Lei do Preço Fixo, o preço FNAC (redução de 10% sobre o preço de editor) foi também uma das características que fez com que a compra de livros passasse a ser efectuada naquelas lojas. Desvalorizaram-se as livrarias, ditas independentes, algumas impregnadas de vícios que ainda tardam a desaparecer, e passou-se a comprar 
bastante na FNAC.
Com o evoluir dos tempos, a actividade cultural passou a fazer parte do dia-a-dia das livrarias independentes (veja-se, a título de exemplo, a Pó dos Livros, em Lisboa, a Loja 107, nas Caldas da Raínha, ou a livrododia, em Torres Vedras), as cafetarias instalaram-se em muitos destes espaços, e os que quiseram sobreviver e continuar a ser respeitados, lutaram por encontrar o seu espaço. Veja-se a Ferin, fortíssima nos álbuns e no livro importado, com um serviço ao cliente absolutamente irrepreensível.
Faltava o preço para competir com a FNAC. Os livreiros tradicionais, sujeitos a descontos inferiores por parte das editoras, por não representarem o mesmo do que a FNAC em termos de negócio, viam-se impossibilitados de praticar o desconto do armazenista francês. Observa-se agora que a FNAC parece preparar-se para abandonar esta política de preços. Assim, apenas os portadores dos cartões poderão usufruir dos 10% de desconto que, presume-se, continuarão a ser suportados pelos editores. Os outros clientes pagarão o mesmo preço praticado numa livraria independente.
Por tudo isto, fica uma pergunta: se eu não tiver um cartão FNAC, que motivo temos para continuar a ir lá comprar livros?
»

Jorge Reis Sá: «Fnac

Sim, a desculpa é deselegante para não dizer que quer fazer de nós burros. Acaba a Fnac com os 10% de desconto nos livros (ou indexa-os apenas aos detentores do cartão Fnac) porque isso é, agora, prática no mercado. E eu que achava que é exactamente ao contrário que costuma funcionar: quando toda a gente está a fazer nós temos é de fazer mais, não menos. Mas com uma quota de mercado tão grande, dá para fazer tudo. Mas desengane-se quem acha que estou contra. Não estou a favor, como é óbvio, mas aceito a mudança. Ela faz parte de uma alteração no paradigma de venda do livro do grupo Fnac. Há anos que em França a Fnac é, na livraria, um hipermercado Continente: livros de alta rotação, nada mais. Notoriamente assim se tornará em Portugal dentro em breve. A mim resta-me dizer que tenho pena que o capitalismo (ou melhor, a obrigatoriedade de crescimento anual dos lucros) acabe por hipotecar um projecto inovador e único. Porque raio não podem as empresas manter os lucros, quando são, como são, já tão altos? Porque têm elas de continuar a crescer? Mas tenho a certeza que para os lados da rua Professor Jorge de Silva Horta há atenção ao fenómeno. Só se forem lorpas, como chamava o meu tio-avô Crispim ao filho quando perdia mais uma vez à sueca, é que não percebem que o futuro da Bertrand passa por ser a livraria que a Fnac já não é e que a Bertrand nunca foi.»

01
Out
08

FNAC (reacções): Jaime Bulhosa da Pó dos Livros

01
Out
08

FNAC acaba com desconto 10%

FNAC acaba com desconto 10% automático. Novidade absoluta no mercado português! Alguma coisa se passa…

Ver aqui. De certa maneira torna as coisas mais “normais” no mercado livreiro.

01
Out
08

You’re a lady – Petter Skellern

Now the evening has come to a close
And I’ve had my last dance with you
On to the empty streets we go
And it might be my last chance with you
So I might as well get it over
The things I have to say won’t wait until another day

You’re a lady, I’m a man, you’re supposed to understand
How these things are often planned to be
You’re romantic, I’m a fool, 
You’re the teacher, I’ve come to school
Here I sit and hope that you’ll love me

You’re pure magic, unlock my chain
Nothing ventured nothing gained
And so I say with no restraint, be mine, be mine

Hard to answer I agree
But then I’ve got to know
I’m not asking you to marry me
Just a little love to show
Oh I know I could make you happy
So the things I have to say
Won’t wait until another day

You’re a lady I’m a man
You are suposed to understand
How these things are
Often planned to be

You’re romantic, I’m a fool
You’re the teacher, I’ve come to school
Here I sit and hope that you’ll love me
You’re pure magic, unlock my chain
Nothing ventured nothing gained
And so I say with no restraint, be mine, be mine




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